A Netflix deu um passo ousado — e polêmico — no mercado publicitário brasileiro. A plataforma de streaming anunciou a expansão para o Brasil de uma parceria com a australiana Amplified Intelligence, empresa especializada em mensuração de atenção humana, com o objetivo de medir com mais precisão o nível de atenção dos usuários aos anúncios exibidos no Netflix plano com anúncios.
A iniciativa foi apresentada em um evento realizado na última quinta-feira (21) e integra a estratégia da Netflix para fortalecer sua operação comercial no país — um mercado estratégico e, hoje, vital para os planos globais da empresa.
Segundo informações divulgadas pela imprensa especializada e por veículos que acompanharam a apresentação da iniciativa, o estudo busca compreender não apenas se um anúncio foi exibido, mas se o espectador realmente direcionou sua atenção para aquele conteúdo. É mais um exemplo de como mídia e inovação estão cada vez mais conectadas na tentativa de entender o comportamento do público.
Netflix plano com anúncios amplia estratégia de publicidade no Brasil
Para entender a dimensão da aposta, basta olhar para os números. O Brasil é o segundo maior mercado da Netflix em número de assinantes no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. São mais de 25 milhões de clientes no país — um feito que coloca o Brasil no centro das decisões comerciais da plataforma.
No mundo, a Netflix encerrou 2025 com 325 milhões de assinantes globais e receita total de US$ 12 bilhões (cerca de R$ 64 bilhões).
Esses números ajudam a explicar por que o mercado brasileiro ganhou relevância dentro da estratégia publicitária da empresa. Quanto maior a base de usuários, maior também é o interesse de anunciantes em entender como esse público reage às campanhas exibidas dentro da plataforma.
Netflix plano com anúncios ganha espaço entre os assinantes
Desses 325 milhões, mais de 94 milhões de usuários ativos mensais já aderiram ao plano com anúncios — o mais barato da plataforma, que, no Brasil, custa R$ 20,90 por mês.
No Brasil, o Netflix plano com anúncios tem sido um motor de crescimento da base de assinantes, democratizando o acesso ao streaming e, ao mesmo tempo, abrindo uma nova e lucrativa frente de negócios para a empresa.
Só em 2025, a divisão publicitária da Netflix faturou US$ 1,5 bilhão — 2,5 vezes mais do que em 2024. A expectativa é que esse número dobre até o final de 2026.
Ou seja, a publicidade deixou de ser apenas uma alternativa para reduzir o preço da assinatura. Ela passou a ocupar uma posição cada vez mais importante dentro do modelo de negócios da Netflix e da própria transformação da relação entre mídia e inovação.
Como funciona o monitoramento de atenção da Netflix?
Na primeira fase do estudo com a Amplified Intelligence, foram instalados equipamentos com câmeras e sensores auditivos em 250 domicílios brasileiros assinantes da Netflix e de plataformas concorrentes.
A tecnologia acompanha o áudio transmitido na televisão e monitora o movimento ocular dos espectadores, identificando diferentes níveis de atenção durante os intervalos comerciais.
Esse tipo de monitoramento de atenção busca responder a uma pergunta que sempre esteve presente na publicidade: o anúncio foi apenas exibido ou realmente recebeu a atenção do público?
Câmeras analisam o comportamento dos espectadores
A proposta é entender como os usuários se comportam durante a exibição dos anúncios e identificar quando realmente estão olhando para a televisão.
Segundo as informações divulgadas sobre o estudo, a análise permite observar situações bastante comuns durante os intervalos: o espectador pode continuar olhando para a TV, pegar o celular, sair do ambiente ou simplesmente desviar a atenção.
A empresa informou que crianças não serão monitoradas pelas câmeras.
É importante destacar que o estudo envolve um grupo específico de domicílios participantes e não significa que câmeras estejam sendo instaladas de forma geral nas casas de todos os assinantes da Netflix. A iniciativa faz parte de uma pesquisa de monitoramento de atenção realizada com participantes selecionados.
Por que a Netflix quer medir a atenção dos usuários?
Para a Netflix, a iniciativa é estratégica: ao comprovar para anunciantes que o público, de fato, presta atenção aos anúncios — e em qual grau —, a plataforma fortalece seu argumento de venda no mercado publicitário, onde a efetividade dos anúncios é cada vez mais questionada.
A própria presidente de publicidade da empresa, Amy Reinhard, afirma que “a atenção começa muito mais alta e termina muito mais alta” quando comparada à dos concorrentes.
A declaração representa a visão comercial da Netflix sobre o desempenho de sua publicidade. Estudos independentes e diferentes metodologias de mensuração podem, naturalmente, chegar a resultados distintos.
Monitoramento de atenção vira métrica para anunciantes
Em um mercado em que visualizações e impressões nem sempre significam que uma pessoa realmente prestou atenção ao conteúdo, o monitoramento de atenção pode se tornar uma informação valiosa para as marcas.
Uma publicidade pode ter sido tecnicamente exibida e contabilizada, mas isso não significa necessariamente que alguém estava olhando para a tela naquele momento.
É justamente essa diferença que empresas de mensuração de atenção tentam identificar.
Para os anunciantes, essa informação pode ajudar a avaliar melhor o desempenho de uma campanha. Para os consumidores, no entanto, ela abre uma discussão diferente.
O avanço dessa tecnologia também mostra como mídia e inovação caminham juntas na busca por métricas cada vez mais precisas sobre o comportamento das pessoas.
Monitoramento da Netflix levanta debate sobre privacidade
Para os assinantes, a medida levanta um debate inevitável sobre privacidade e intrusão. Afinal, quando câmeras e sensores passam a analisar o comportamento de pessoas dentro de suas próprias casas, mesmo dentro de um estudo específico, surgem perguntas importantes sobre consentimento, tratamento das informações e limites da mensuração publicitária.
A presença de câmeras dentro de residências para analisar a atenção dos usuários traz uma nova camada para a discussão sobre privacidade no ambiente digital.
Até então, boa parte da mensuração publicitária acontecia por meio de dados de navegação, cliques, visualizações e comportamento dentro das plataformas. Agora, o estudo leva essa análise diretamente para o ambiente doméstico dos participantes.
Consentimento e transparência ganham ainda mais importância
Em pesquisas que utilizam câmeras, sensores e informações relacionadas ao comportamento das pessoas, transparência sobre a forma como os dados são coletados e utilizados se torna fundamental.
No Brasil, o tratamento de dados pessoais também precisa considerar as regras estabelecidas pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), especialmente quando informações podem ser relacionadas a indivíduos identificados ou identificáveis.
Por isso, além de saber que a tecnologia existe, o usuário precisa entender quais informações são coletadas, para qual finalidade, por quanto tempo são armazenadas e quem pode ter acesso a elas.
Quando falamos de mídia e inovação, esse tipo de debate se torna ainda mais importante, porque novas tecnologias também criam novas responsabilidades para empresas, plataformas e anunciantes.
Até onde vai a coleta de dados para publicidade?
A iniciativa evidencia uma discussão cada vez mais presente no mercado digital: até que ponto empresas podem utilizar dados e comportamentos dos usuários para melhorar seus produtos e estratégias comerciais?
Nesse caso, a informação mais valiosa não é apenas saber se o anúncio foi exibido, mas descobrir se alguém realmente estava olhando para ele.
E essa diferença parece pequena, mas muda bastante a lógica da publicidade digital.
Quando a atenção passa a ser transformada em métrica, o comportamento humano dentro de casa também ganha valor comercial.
O dilema do Netflix plano com anúncios
Desde que a Netflix lançou o plano com publicidade, a relação com os assinantes tem sido tensa. Muitos usuários que optaram pela modalidade mais econômica simplesmente ignoram os comerciais — pegam o celular, vão ao banheiro ou aproveitam para beber água.
Agora, com a tecnologia da Amplified Intelligence, a Netflix busca exatamente quantificar essa evasão e entender melhor como as pessoas se comportam enquanto os anúncios estão sendo exibidos.
O monitoramento de atenção pode ajudar a empresa e os anunciantes a compreender quais formatos conseguem manter maior atenção do público.
Ao mesmo tempo, quanto mais precisa se torna essa medição, maior também precisa ser a discussão sobre seus limites.
O preço de um plano mais barato
A lógica do Netflix plano com anúncios é relativamente simples: o consumidor paga menos pela assinatura e, em troca, recebe publicidade durante o conteúdo.
Mas o avanço das ferramentas de mensuração adiciona uma nova questão a essa troca.
Não estamos mais falando apenas de assistir ou ignorar um comercial. Estamos falando da possibilidade de medir, com cada vez mais precisão, como as pessoas reagem a ele.
Esse é justamente um dos grandes debates atuais sobre mídia e inovação: até que ponto novas tecnologias podem melhorar a eficiência da publicidade sem ultrapassar os limites de privacidade e conforto do consumidor?
Com 25 milhões de brasileiros como clientes e uma operação publicitária que vale bilhões, a pergunta que fica no ar é inevitável: até onde vai o preço de um plano “mais barato”?
Fontes consultadas: Mundo do Marketing | TecMundo | Folha de S.Paulo (Outro Canal)
FAQ sobre Netflix, monitoramento de atenção e publicidade
1. O que é o monitoramento de atenção da Netflix?
O monitoramento de atenção é uma forma de medir se o espectador realmente está olhando para a tela durante a exibição de anúncios, usando tecnologias capazes de analisar comportamento e movimento ocular.
2. A Netflix está instalando câmeras na casa de todos os assinantes?
Não. O estudo citado envolve um grupo específico de domicílios participantes. Isso não significa que câmeras estejam sendo instaladas nas casas de todos os clientes da plataforma.
3. Como funciona o Netflix plano com anúncios?
No Netflix plano com anúncios, o usuário paga um valor menor pela assinatura e, em troca, assiste a comerciais durante a reprodução de determinados conteúdos.
4. Por que a Netflix quer medir a atenção dos usuários?
A empresa busca entender se os anúncios realmente conseguem prender a atenção do público e usar essas informações para oferecer dados mais precisos aos anunciantes.
5. O monitoramento de atenção pode afetar a privacidade?
Sim. O uso de câmeras e sensores dentro de residências levanta discussões sobre consentimento, coleta de dados, armazenamento de informações e limites de privacidade.
6. O que a LGPD tem a ver com esse tipo de estudo?
A Lei Geral de Proteção de Dados estabelece regras para o tratamento de dados pessoais no Brasil. Pesquisas que envolvem informações relacionadas ao comportamento dos participantes precisam considerar essas regras.
7. Por que esse tema está relacionado a mídia e inovação?
Porque mostra como novas tecnologias estão sendo usadas para transformar a publicidade e criar métricas mais detalhadas sobre o comportamento do consumidor.
8. O que muda para os anunciantes com esse tipo de monitoramento?
Os anunciantes podem passar a ter informações mais precisas sobre a atenção real do público, indo além de métricas tradicionais como visualizações e impressões.

