O mercado brasileiro de marketing de influência cresceu, amadureceu e ganhou orçamento. Três em cada quatro empresas já usam influenciadores, dez pontos percentuais a mais do que no ano passado, segundo a Data-Marketing Leaders. E 61% pretendem aumentar esse investimento nos próximos doze meses, de acordo com a pesquisa ROI & Influência, da Youpix em parceria com a Nielsen. Até aqui, tudo certo. O problema é outro: o critério de escolha continua errado.
Boa parte das empresas ainda decide com base em número de seguidores. E isso não é detalhe operacional, é erro de lógica.
O crescimento desse mercado também exige uma mudança na forma como as marcas avaliam seus investimentos em marketing digital. Em Curitiba e em outras cidades brasileiras, empresas que utilizam influenciadores em suas estratégias precisam entender que ter uma audiência grande não significa necessariamente ter uma audiência interessada, participativa ou disposta a comprar.
Marketing de influência: por que o número de seguidores não define o resultado?
Um estudo recente, o Radar Brasis, analisou cem criadores de conteúdo no Instagram, na Bahia, e mostrou o seguinte: perfis entre 50 mil e 200 mil seguidores tiveram taxa média de engajamento de 8,25%. Contas com mais de 500 mil ficaram em 4,2%. O benchmark global gira entre 0,5% e 3%. Ou seja: perfis menores estão entregando mais resultado do que os grandes, e acima do padrão internacional.
O levantamento, realizado pelo hub Brasis, com curadoria da UNA (Rede Bahia) e dados da plataforma Zeeng by Alright, considerou publicações feitas entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. Os resultados ajudam a mostrar que o tamanho da audiência, isoladamente, não é suficiente para medir a capacidade de um criador de gerar interações.
É importante considerar que os números representam uma amostra específica de criadores da Bahia e não necessariamente o comportamento de todos os influenciadores brasileiros. Ainda assim, o estudo traz um alerta para empresas que continuam utilizando a quantidade de seguidores como principal critério de contratação em suas estratégias de marketing de influência.
Taxa de engajamento e retenção: o que importa para as marcas?
A discussão nem é sobre tamanho, e sim eficiência. Seguidor é volume. Engajamento é atenção. Tempo assistido, a famosa retenção, é mais importante que as visualizações. Quando a escolha é feita só pelo tamanho da base, é o mesmo que pagar mais caro por alguém que não converte.
Na prática, uma marca precisa entender como aquela audiência se comporta. Não basta olhar quantas pessoas visualizaram uma publicação. É necessário observar quantas interagiram, compartilharam, salvaram ou demonstraram interesse pelo conteúdo.
A taxa de engajamento é um dos indicadores utilizados no marketing de influência para avaliar a interação do público com as publicações. Mas esse número precisa ser analisado junto de outras métricas, como alcance, retenção e perfil da audiência.
E existe outra diferença importante: engajamento não é necessariamente conversão. Uma publicação pode receber milhares de curtidas e não gerar uma única venda. Por isso, dependendo do objetivo da campanha, também é necessário acompanhar cliques, contatos recebidos, cadastros e vendas.
Marketing de influência: a importância da conexão entre criador e audiência
A influência funciona, mas não qualquer uma. Funciona quando existe aderência entre criador, audiência e contexto. O consumidor faz a parte dele: oitenta por cento dos brasileiros já compraram produtos recomendados por influenciadores, e 45% dizem que tiveram suas expectativas superadas.
Os dados fazem parte do estudo O Efeito da Influência no Consumo, divulgado em 2025 pela Youpix em parceria com a Nielsen. A pesquisa reforça a importância da identificação e da confiança nas recomendações feitas por criadores de conteúdo.
Mas existe um ponto que muitas empresas ainda ignoram: não adianta contratar um influenciador que fala com milhares de pessoas se essas pessoas não têm relação com o produto ou serviço oferecido.
Um criador regional, por exemplo, pode ser mais interessante para um negócio local do que um perfil nacional com milhões de seguidores. Tudo depende de onde está a audiência, de quem acompanha aquele conteúdo e do objetivo da campanha.
Para empresas que investem em marketing digital em Curitiba, por exemplo, a localização e o perfil dos seguidores podem ser decisivos. Um influenciador com uma audiência menor, mas concentrada em Curitiba e região metropolitana, pode apresentar mais aderência a uma campanha local do que um criador com alcance nacional.
Quais conteúdos geram mais interesse no marketing de influência?
E isso passa também pelo tipo de conteúdo. Dicas de uso lideram com 59%, seguidas por tutoriais com 52% e conteúdos com o produto inserido, com 42%. Conteúdo prático, aplicável, próximo da realidade.
O comportamento mostra a importância de apresentar produtos e serviços dentro de situações reais de consumo. O público não quer apenas ver alguém divulgando uma marca. Quer entender como aquilo funciona, quais problemas resolve e se faz sentido para a sua realidade.
É por isso que a escolha do influenciador também precisa considerar sua linguagem, seu histórico de publicações e a relação que mantém com os seguidores. Uma recomendação coerente com o conteúdo habitual do criador tende a fazer mais sentido para quem acompanha aquele perfil.
Vídeos ou carrosséis: qual formato entrega maior taxa de engajamento?
Outro ponto importante: vídeos concentram volume e engajamento total, mas os carrosséis podem ter maior eficiência proporcional por publicação. Nada disso é detalhe. É operação.
O próprio Radar Brasis identificou essa diferença entre os formatos analisados. Isso não significa que um formato seja sempre melhor que o outro, mas que a escolha precisa considerar o comportamento da audiência e a finalidade do conteúdo.
Vídeos podem ser interessantes para demonstrações, experiências e apresentações de produtos. Carrosséis permitem organizar informações, explicar etapas e aprofundar determinados assuntos.
A decisão deve considerar os resultados de cada formato, incluindo a taxa de engajamento, o alcance e a retenção, e não apenas o que está em alta nas plataformas.
Como escolher influenciadores para uma estratégia de marketing digital?
Na próxima vez que você receber uma proposta de parceria com um influenciador, não comece pelo número de seguidores. Pergunte qual é a taxa de engajamento, onde está a audiência e se essa audiência tem o perfil do seu cliente.
Também vale solicitar dados recentes sobre alcance, visualizações, retenção e desempenho de campanhas anteriores. Sempre que possível, observe resultados de parcerias semelhantes e verifique se os números apresentados fazem sentido para o investimento proposto.
Outro cuidado é analisar a qualidade das interações. Comentários relacionados ao conteúdo e participação recorrente da audiência podem oferecer informações mais úteis do que uma quantidade elevada de curtidas sem contexto.
Para quem trabalha com marketing digital em Curitiba ou em qualquer outro mercado, essa análise precisa considerar também a localização do público, os hábitos de consumo e a relação entre o influenciador e o segmento da empresa.
E antes de fechar qualquer parceria, defina o que a empresa pretende alcançar: reconhecimento de marca, visitas ao site, geração de contatos ou vendas. Sem um objetivo claro, fica difícil avaliar se o investimento realmente trouxe resultado.
Número de seguidores é o que o influenciador vende. Engajamento é o que a marca precisa se preocupar em comprar.
FAQ – Perguntas frequentes sobre marketing de influência e taxa de engajamento
1. O que é marketing de influência?
Marketing de influência é uma estratégia de marketing digital que utiliza criadores de conteúdo para divulgar marcas, produtos e serviços. O objetivo é aproveitar a conexão e a credibilidade que esses influenciadores possuem com suas audiências para gerar reconhecimento, engajamento e oportunidades de venda.
2. Por que o número de seguidores não define a influência de um criador?
Porque ter muitos seguidores não significa necessariamente ter uma audiência ativa e interessada. Um influenciador com menos seguidores pode apresentar uma taxa de engajamento maior e gerar resultados mais relevantes para uma marca, especialmente quando seu público tem afinidade com o produto ou serviço divulgado.
3. O que é taxa de engajamento no marketing de influência?
A taxa de engajamento é um indicador que mede a proporção de interações recebidas por um conteúdo em relação a uma base de referência, como seguidores ou alcance. Ela pode considerar curtidas, comentários, compartilhamentos e salvamentos, dependendo da metodologia utilizada.
4. Como escolher o influenciador ideal para uma campanha de marketing digital?
A escolha deve considerar a taxa de engajamento, a localização dos seguidores, o perfil da audiência, a qualidade das interações e o histórico de campanhas anteriores. Também é importante verificar se o conteúdo do influenciador está alinhado aos valores da marca e aos objetivos da campanha.
5. Qual é a importância dos influenciadores locais para o marketing digital em Curitiba?
Influenciadores locais podem ajudar empresas de Curitiba a alcançar consumidores da cidade e da região metropolitana. Uma audiência geograficamente concentrada e alinhada ao público-alvo pode ser mais relevante para negócios locais do que um perfil nacional com milhões de seguidores.
6. Qual formato gera mais engajamento: vídeos ou carrosséis?
Depende do público e do objetivo da publicação. Vídeos podem alcançar um volume maior de interações, enquanto carrosséis podem apresentar maior eficiência proporcional por publicação. O ideal é analisar a taxa de engajamento, a retenção e os resultados de cada formato.
7. Qual é a diferença entre engajamento e conversão?
Engajamento representa as interações do público com o conteúdo, como curtidas, comentários e compartilhamentos. Conversão acontece quando o usuário realiza uma ação desejada pela empresa, como preencher um cadastro, solicitar um orçamento ou efetuar uma compra. Uma taxa de engajamento elevada não garante, necessariamente, mais vendas.
8. Como medir os resultados de uma campanha de marketing de influência?
Os resultados devem ser avaliados de acordo com os objetivos definidos pela marca. Entre os principais indicadores estão alcance, taxa de engajamento, retenção, cliques, contatos gerados e vendas. A análise conjunta dessas métricas permite entender se a parceria trouxe resultados relevantes para o investimento realizado.

