Inteligência artificial na música: o impacto da IA nos streamings, na mídia e inovação e nos criadores

Lembra que comentamos sobre o hit da Luísa Sonza que não era a música dela mesmo? Pois então. Hoje vamos seguir com esse tema, uma vez que tivemos mais um fato curioso.

Quando a gente fala de mídia e inovação, a Inteligência artificial na música é um dos assuntos que mais chamam atenção atualmente. Segundo uma pesquisa da Deezer em parceria com o instituto Ipsos, milhões de músicas geradas por IA já foram detectadas na plataforma, mostrando como esse tipo de conteúdo deixou de ser uma experiência isolada e passou a fazer parte da rotina dos serviços de streaming.

E é justamente aí que a discussão começa a ficar interessante. Porque não estamos mais falando apenas sobre o que a Inteligência Artificial consegue criar. Estamos falando sobre o que nós, ouvintes, conseguimos — ou não — identificar.

Inteligência artificial na música já confunde os ouvintes

Eles fizeram um “teste cego” com milhares de pessoas. Colocaram duas músicas feitas por Inteligência Artificial e uma feita por um humano. O resultado? 97% das pessoas não conseguiram notar a diferença.

Isso mesmo. Quase ninguém conseguiu identificar o que era alma e o que era código. A maioria não faz ideia do que está ouvindo.

E isso levanta uma questão que vai muito além da qualidade técnica da música. Se praticamente não conseguimos mais diferenciar uma criação humana de uma música gerada por IA, até que ponto saber quem criou aquela música interfere realmente na nossa experiência?

O estudo mostrou ainda que 52% dos ouvintes se sentiram desconfortáveis ao descobrir que foram enganados. A gente gosta da música, mas odeia a sensação de estar aplaudindo um robô sem saber.

O público quer saber quando uma música foi gerada por IA

Mas a pesquisa mostra que:

  • 80% das pessoas querem saber se a música que estão ouvindo foi feita por IA.
  • 73% desejam transparência nas recomendações das plataformas.

“Atenção: esta música foi gerada por IA.”

As pessoas querem ter o direito de saber se estão se emocionando com a dor de um compositor que sofreu por amor ou com um algoritmo que processou a palavra “tristeza”.

E transparência começa a se tornar uma palavra importante nessa discussão. Não necessariamente porque uma música gerada por IA seja boa ou ruim, mas porque o usuário quer entender a origem daquilo que está consumindo.

Ou seja, pela pesquisa, querem saber. Mas será que esse desejo é real ou é só ego ferido porque se sentiram enganados? Na prática, de verdade, será que isso realmente vai importar na escolha?

Porque uma coisa é responder a uma pesquisa dizendo que você quer saber. Outra é estar no carro, ouvir uma música que gostou e decidir desligá-la depois de descobrir que ela foi criada por uma máquina.

Inteligência artificial na música pode afetar a receita dos criadores

E existe outro lado dessa história que talvez seja ainda mais delicado: o econômico.

De acordo com um estudo encomendado pela CISAC, a Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores, e realizado pela consultoria PMP Strategy, 24% da receita dos criadores de música pode estar em risco em 2028 caso o cenário atual se mantenha.

A estimativa representa uma possível perda de 4 bilhões de euros por ano em 2028.

E aqui existe uma diferença importante. Não estamos falando apenas da estrela pop que vende show a 1.500 reais. Estamos falando do compositor de bastidor, do arranjador, do músico de estúdio e de profissionais que dependem diretamente dessa cadeia criativa para trabalhar.

Ou seja, quando a gente discute Inteligência artificial na música, a conversa não deveria ficar restrita a “ficou bom ou ficou ruim?”. Existe uma discussão econômica acontecendo junto.

Toda uma cadeia criativa poderá ser atropelada por um algoritmo que nunca pisou num palco.

Mídia e inovação: enquanto a música fica mais artificial, o streaming tenta ficar mais humano

Não na mesma linha, mas seguindo a questão das plataformas de streaming de música e áudio, ironicamente, enquanto a música fica mais artificial, as plataformas tentam ficar mais “humanas”.

O Spotify, por exemplo, lançou o recurso Messages, que permite conversar e compartilhar conteúdos diretamente dentro do aplicativo.

Agora, o Spotify tem uma espécie de “Direct”. Dá para compartilhar músicas, podcasts e outros conteúdos, mandar mensagens e reagir com emojis sem precisar sair da plataforma.

Desde o lançamento do recurso, o próprio Spotify vem ampliando essas possibilidades de interação. A plataforma já adicionou conversas em grupo e recursos que permitem acompanhar o que amigos estão ouvindo, reforçando uma camada cada vez mais social dentro do aplicativo.

Essa transformação também mostra como mídia e inovação estão cada vez mais conectadas. As plataformas não querem apenas entregar conteúdo. Elas querem criar ambientes em que as pessoas ouçam, compartilhem, conversem e criem vínculos em torno daquilo que consomem.

Spotify começa a se aproximar de uma rede social

Essa mudança transforma o Spotify. Ele deixa de ser apenas um “jukebox” solitário e se aproxima, cada vez mais, da lógica de uma rede social.

E não sou eu dizendo que as relações pessoais são importantes para essa estratégia. O próprio Spotify, ao apresentar o recurso, destacou o peso das recomendações entre amigos e familiares na descoberta de novas músicas e conteúdos.

Eles entenderam que o algoritmo é ótimo para te manter ouvindo, mas existe algo que nenhuma recomendação automática reproduz exatamente da mesma maneira: alguém que você conhece dizendo “escuta isso aqui”.

É a humanização através das amizades criando uma confiança diferente daquela criada somente pelo algoritmo.

Como os algoritmos estão mudando a relação das pessoas com a música

Não é só sobre música gerada por IA ou algoritmos treinados para te manter em bolhas. Observem como, lentamente, as plataformas estão redesenhando a forma como a gente se relaciona com o som.

Primeiro elas escolhem o que você ouve, depois como você cria vínculo emocional com aquilo.

Os sistemas de recomendação aprendem com aquilo que você escuta, pula, repete, salva e compartilha. Quanto mais interação, mais informação existe para personalizar aquilo que aparece depois.

O usuário passa a ser condicionado a gostar mais de fulano ou de beltrano, ou a ouvir mais o estilo X a Y.

E aqui vale fazer uma distinção: isso não significa que o algoritmo determina completamente o gosto de alguém. Mas significa que ele influencia aquilo a que essa pessoa será exposta. E exposição repetida também ajuda a moldar preferência.

É mais um exemplo de como mídia e inovação passaram a influenciar não apenas a distribuição de conteúdo, mas também a forma como ele é descoberto e consumido.

No fim, corremos o risco de virar “validadores” de conteúdo sintético sem perceber.

Afinal, ainda importa saber quem fez a música?

Talvez a pergunta nem seja mais: quem fez a música?

Talvez seja: vai importar para você quem fez a música se ela conseguir provocar exatamente a emoção que você queria sentir?

Porque a tecnologia já chegou a um ponto em que a discussão não é simplesmente se a máquina consegue criar uma música. Ela consegue.

A discussão sobre Inteligência artificial na música agora passa por autoria, transparência, remuneração, comportamento e até pela relação emocional que criamos com aquilo que consumimos.

E, quando olhamos por essa perspectiva de mídia e inovação, talvez a grande mudança não esteja apenas em quem produz o conteúdo, mas também em como as plataformas fazem esse conteúdo chegar até nós.

E fica aqui minha sugestão: da próxima vez que você ouvir uma música nova, se pergunte:

Essa música foi feita por uma pessoa ou por um algoritmo?

Essa música foi feita por alguém que já chorou ouvindo outra música? Ou por um código treinado matematicamente para hackear o seu sentimento e te fazer chorar?

FAQ – Inteligência artificial na música

1. O que é música gerada por IA?
É uma música criada total ou parcialmente com o uso de inteligência artificial. A tecnologia pode gerar letra, melodia, instrumental, voz e até reproduzir estilos musicais a partir de padrões aprendidos em grandes volumes de dados.

2. É possível diferenciar uma música feita por IA de uma música feita por uma pessoa?
Nem sempre. Pesquisas recentes mostram que grande parte dos ouvintes tem dificuldade para identificar quando uma música foi criada por inteligência artificial, principalmente quando a produção apresenta qualidade semelhante à de gravações profissionais.

3. As plataformas deveriam informar quando uma música foi gerada por IA?
A transparência é uma das principais demandas dos usuários. Muitos ouvintes afirmam que gostariam de saber quando estão consumindo conteúdo criado por inteligência artificial, mesmo que isso não necessariamente mude sua decisão de continuar ouvindo.

4. Como a inteligência artificial na música pode afetar os artistas?
A IA pode aumentar a concorrência por atenção, reproduções e receita dentro das plataformas. Esse impacto pode atingir não apenas grandes artistas, mas também compositores, músicos de estúdio, arranjadores e outros profissionais da cadeia musical.

5. Uma música gerada por IA pode provocar emoção de verdade?
Sim. A emoção sentida pelo ouvinte não depende necessariamente de quem criou a música. Uma produção feita por IA pode provocar tristeza, alegria ou identificação, o que abre uma discussão sobre autoria e sobre o peso da experiência humana na criação artística.

6. Qual é a relação entre mídia e inovação nesse cenário?
A relação aparece tanto na criação quanto na distribuição. A inteligência artificial produz novos conteúdos, enquanto os algoritmos e as plataformas de streaming definem cada vez mais como esses conteúdos chegam até o público.

7. Como os algoritmos influenciam o gosto musical?
Eles analisam comportamentos como músicas ouvidas, puladas, repetidas, salvas e compartilhadas para recomendar novos conteúdos. Isso não significa que o algoritmo controla totalmente o gosto de alguém, mas ele influencia aquilo a que o usuário é exposto com mais frequência.

8. O Spotify está se tornando uma rede social?
A plataforma vem incorporando cada vez mais recursos de interação entre usuários, como compartilhamento, mensagens e recomendações entre amigos. Isso aproxima o Spotify da lógica das redes sociais, além de reforçar a descoberta de conteúdo por meio das relações pessoais.